Autor: Cezar Ubaldo
Os homens são diferentes por natureza.Podemos sentir essa verdade através de cada tragédia que toma conta de uma sociedade,como a da manhã dessa quinta-feira,em Realengo,Rio de Janeiro,quando onze estudantes foram assassinados e o matador acabou com a própria vida logo depois de atingido por tiros deflagrados por um sargento da Policia Militar daquele estado.
As tragédias,que historicamente aconteciam nas escolas dos EUA e na Europa,em menor escala,acontece na chamada cidade maravilhosa,o Rio de Janeiro que,ano a ano, permanece triste por conta de tantos crimes e desmandos ,a exemplo do que acontece em outras cidades de estados brasileiros.
Não podemos fugir à realidade de que os homens são diferentes por natureza.Por gênero são homens e mulheres.Por ideologia, são de esquerda,direita,centro,etc e continuarão sendo diferentes.Há aqueles que são intelectuais e por serem assim,colocam o conhecimento e a condição humanistica acima de todas as coisas.Há os beócios,os ignorantes,estúpidos,que se deixam envolver por aqueles que escolhem a “politica”,a que não é somente a ciência do governo do povo,arte de dirigir as relações entre os Estados,maneira hábil de agir em prol de todos.
Não.Infelizmente,a grande maioria dos que escolhem a “política” miram-se nos ideais dos partidos que por significado etmológico quer dizer dividido,quebrado,vantagem dada em jogo,proveito,como bem acontece nos parlamentos municipais,estaduais ou federal,permitindo que a grande maioria dos parlamentares deixem de sê-lo,efetivamente e tornem-se parlapatões,parlapateando em cada parlatório desse Brasil,falando sobre uma tragédia da qual eles são imensamente responsáveis por conta da falta de projetos de cunho social que beneficie aqueles que são deserdados.
Entre os homens diferentes por natureza há os que aprenderam com a leitura de O Princípe, de Nicolas Maquiavel, sobre os artificios e o jogo de poder entre os homens que desejam o poder e realizam um jogo de engenharaia politica para que sejam perpetuados nele,e ainda os que leram sobre os Fundamentos da |Desigualdade entre os homens,de Jean-Jacques Rousseau que por sua vez chegou a adotar quase que a teoria completa de um de seus predecessores:a teoria das paixões,de Diderot.
É bem certo nesses casos,que os nossos “politicos” não tiveram e não tem a paixão,o amor que dizem ter pela cidade natal,pela cidade ou estado que os acolheram,nem mesmo a visão mínima de política e poder de Rousseau e Diderot.Assim,alguns poucos-ainda bem,assimilaram os ideais maquiavelistas,mesmo assim duraram pouco e pouco durarão nos anais da História.Já outros,não perceberam que “por mais que se admire a sociedade humana,não será menos verdadeiro que ela necessariamente leva os homens a se odiarem entre si à medida que seus interesses se cruzam a aparentemente se prestarem serviços e a realmente se causarem todos os males imagináveis”.
Então,se os homens se respeitassem e se amassem como o Cristo pediu,a sentença de Rousseau cairia por terra e as tragédias como as de Realengo e tantas outras não aconteceriam.
Nós somos diferentes porque pensamos diferentes e, por isso,podemos ser vilipendiados por que pensamos e agimos,como nos assegura Anatole France.
Não, como bichos,mas, porque pensamos socialmente,pelo bem comum.Pensamos diferente porque fisicamente as diferenças são gritantes,porque precisamos ser diferentes,mas não precisamos ser ou agir como criminosos,mesmo às vezes sendo levados à essa condição pela inexistência do Estado nas áreas mais carentes,ou ainda nos sentirmos escravos de um processo de produção do qual nada alcançamos.
Somos e devemos ser diferentes defendendo os nossos direitos constitucionais,principalmente contra quem “assume um poder” que é outorgado por nós,povo e,portanto,os grandes mantenedores da democracia.
As lições de Maquiavel,de Rousseau,de Diderot e de todos os grandes filósofos de ontem e de hoje,servem para que entendamos o quanto somos,enquanto povo,enquanto instituição,importantes na luta contra a corrupção dos poderes constituidos,e como seremos mais importantes se nos voltarmos à favor de uma boa educação para que todos tenham a consciência de que pagamos aos governantes não para que eles,irônica e cruelmente nos escravizem,deixando-nos,povo,à mercê do que a própria sociedade criou,à margem das discussões sérias que envolvem o bem-estar de todos.
Não podemos pensar em paz sem pensarmos na raiz da paz.Não podemos pensar em cultura como paraiso da humanidade.Mas,não podemos ser educados apenas no coração da natureza.Nós,todos nós que choramos diuturnamente pelos filhos que estão à mercê do que há de ruim,queremos trabalho,segurança,saneamento,comida,diversão e arte.
Todos nós queremos que todos percebam que a vida é poderosa e alegre,que todos merecem que haja,por parte dos governantes,vontade política para fazer mudar,sem prevalência de um só pensamento e,sim,com o pensar transgressor de toda a sociedade para que deixemos de ter “chefes” e “parlapatões” e tenhamos homens públicos de verdade nos teres poderes da república desenvolvendo ações que tragam a tranquilidade para cada cidadão.
















