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Josué Ramiro

Categoria : Entrevista, Especiais

Poeta Josué Ramiro/ Arquivo Pessoal

José Ramalho de Deus, poeta, escritor, filósofo  ex-professor. Muito conhecido através do pseudônimo, Josué Ramiro Ramalho nasceu em Penedo/ Alagoas.  Em entrevista ao Poesia Baiana Ramiro lembra o primeiro poema, comenta as dificuldades enfretadas por um poeta, e ainda revela qual o poema que mais gosta de recitar.

Poesia Baiana- Como você se despertou pra  poesia?
Josué Ramiro-
A poesia já vem latente no ser. O “se descobrir poeta” é que acontece. Em algum momento, a poesia vibra forte e quer sair para ser encontrada. Eu vim me descobrir com a idade de oito anos. No colégio onde iniciei meus estudos em Penedo/ Alagoas. Ali, decorando um poema que não recordo a autoria, fui muito aplaudido. Como começava a escrever, passei a fazer uns versos tolos, chulos mas era o começo de toda essa trajetória. O título do poema era A Estrelinha.
Quando você começou a escrever? Tudo começou aos oito anos de idade. Meu pai era um repentista cordelista muito respeitado na cidade de Penedo. Pena que nunca fui bom no repente e cordel também, não é minha praia. Mas ficava babando quando meu pai tirava repentes do nada para disputar com outros repentistas. Sempre achei o repente um momento fenômenal.
Você lembra qual foi o primeiro poema? O meu primeiro poema depois que decidi me entranhar no meio poético, depois que passei a declamar em público, depois mesmo que passei a publicar, chamava-se O Beijo. Pequeno, simples, fácil de memorizar. Ali na Praça Nacional da Poesia, Piedade, no movimento Poetas na Praça, foi a primeira vez e o primeiro poema a ser declamado em público como poeta mesmo. Também foi praticamente o início de tudo.
Qual a maior recompensa em ser poeta? Estar diante de um público que vibra, que aplaude, que te afaga é sempre a maior recompensa. Não há dinheiro que pague a alegria de fazer o que mais agrada.
Quais as dificuldades enfrentadas por um poeta? São tantas que enumerá-las seria complicado. Na verdade, quando o poeta não cai nas graças da mídia, tem dificuldade de acesso a imprensa, de publicar seus versos, de ser convidado para os eventos, de receber algum por esse trabalho que já foi dito como “sem visibilidade” pelo próprio secretário de cultura do estado em uma gestão passada etc, etc.
É possível viver de poesia? Não será possível se você não for agraciado pelos louros midiáticos. Entretanto, Quando se cai nas graças dessa mídia tão tendenciosa, é possível fazer carreira em qualquer situação. Veja um exemplo: O Ronaldo está gordão, pesadão, mas ainda o chamam de fenômeno e acham que ele ainda pode recuperar o futebol que possuiu. São as graças da mídia.
Qual o poema que você mais gosta de recitar? Muitos amigos sempre me cobram para recitar o poema Nordestinos. Este poema, na época que Zeca de Magalhães era vivo, era declamado no pelourinho por uma poetisa que freqüentava o espaço que ele criou o CRIA. Um dia, em recital no gibão de couro no Costa Azul, ele descobriu enfim quem era o autor, pois desconhecia. E me convidou para freqüentar seu espaço e conhecer a poetisa que declamava com tanta arte, (segundo ele), aquele poema. Não consegui partilhar o espaço pois pouco tempo depois ele veio a expirar. Entretanto os Poemas que mais gosto são: Meus Poemas, Ritimos Acelerados  e Tranças, que é um belíssimo soneto que fiz já há algum tempo.
Você faz parte de algum projeto ligado à poesia? Vamos começar falando do Artpoesia pois desde o início que acompanho. Claro que, com a liberdade da independência de ambos os lados. Já convivemos muito bem e publiquei por diversas vezes na revista que completou 11 anos de existência. Fizemos viagens, mantivemos grandes recitais juntos além de que convivo muito bem com todos. O Fala Escritor que também é um grande projeto atual, já tive a oportunidade de compartilhar de vários momentos inclusive de seu primeiro aniversário. A Casa Poesia Bahia foi outro projeto que partilhei com outros poetas baianos mais não foi à frente. Assim como Poetas na Praça, Grupo Recital Show e por último o MOC POP que conseguimos realizar uma coletânea com poetas que declamam na Piedade e em outros tempos  na Praça da Sé na reinauguração. Em todos estes envolvimentos só tive a aprender. Agora estou mais próximo da nova fisionomia que o projeto Artpoesia está implementando a partir da rede linha oito na estrada da Liberdade com o Anjo Amigo e outra ONG.
O que acha do mercado editorial baiano? Acredito que muito ainda se pode fazer. Acho que tudo depende das Secretarias de Cultura Municipal e Estadual para viabilizarem projetos que tragam benécias para os excluídos da mídia. Para os poetas de rua, para os palhaços, atores e atrizes, para os artistas plásticos e todos os que estão na luta infernal em busca de espaço. A gente percebe que todos os benefícios gerados através da cultura municipal ou estadual vão para os astros midiáticos. Aqueles que já fizeram sua carreira alavancar. Oportunidades aos não midiáticos, essas são quase nulas.

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Oi Pat, Ficou legal sim, é basicamente isso mesmo. Um abração para ti com muito carinho. Mas essa foto até que poderia ser trocada por uma que tenho declamando na Câmara Municipal no projeto Fala Escritor e algumas páginas que não sei se encaminhei para ti. Vou ver se consigo enviá-la para seu email. De resto, nada a comentar. Estou aproveitando seu saite Poesia Baiana para incrementar umas pesquisas nas oficinas que tenho ministrado. Obrigado e muito sucesso para ti.

Olá, amigo Josué Ramiro…

Realmente você está certíssimo quando fala dos “louros” da mídia. Quando a imprensa quer, endeusa qualquer um. Poetas que falam a verdade nua e crua, como você e tantos outros, não interessa a eles, pois mexe com o poder.

Viver de poesia, neste país de analfabetos funcionais, é uma utopia, um sonho. Com muita insistência, talvez a gente consiga. Vale a pena sonhar, sempre, senão a vida perde o sentido…

Parabéns por mais esta divulgação do seu trabalho.

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