
Poeta Gregório de Matos
Na Bahia essa forma de fazer mensagens criativas vem de tempos longínquos. Desde o século XVI com a origem do barroco. Seu marco inicial em 1601 com a publicação do poema épico, Prosopopéia, a primeira obra, propriamente literária, escrita no Brasil, pelo português, radicado no Brasil, Bento Teixeira. Um grande nome do cenário literário baiano foi o português Antonio Vieira vindo de Lisboa conhecido como grande orador, o “artista da língua” segundo o poeta Fernando Pessoa. Fascinado pelos dramas humanos, inimigo da inquisição, defensor de escravos e judeus, teve como principais obras Clavis Prophetarum, “Sermão da Quinta Dominga da Quaresma”, o “Sermão da Sexagésima”, o “Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal contra as de Holanda”, o “Sermão do Bom Ladrão”, entre outros. Mas, o barroco teve outras grandes representações aqui na Bahia, como o poeta baiano, Gregório de Matos (1623 – 1696). Conhecido como “Boca do Inferno”, apelido recebido graças a sua língua afiada nas críticas direcionadas a padres, freiras, políticos, enfim, a sociedade da época. Gregório desenvolveu sua arte tanto no estilo cultista, linguagem rebuscada, quanto o conceptista, explorando o conceito.
Nascido em 1632, o baiano Domingos Barbosa (1632-1685), pertenceu a Companhia de Jesus, e ficou conhecido na Europa pelas suas poesias latinas, obras em destaque: Passio Servatoris Jesu Christi. Outros nomes baianos como: Gonçalo Ravasco Cavalcanti de Albuquerque, nascido em 1639, que se distinguiu como poeta escrevendo autos sacramentais; Manuel Botelho de Oliveira, também nascido em 1639, deixou grandes obras como uma a coleção de poesias com o titulo de Música do Parnas, com linguagens típicas do barroco, entre outros.
Por volta de 1750, entra pelas portas da Bahia a Literatura de Cordel, em terreno fértil apareceram os primeiros poetas populares, que narravam suas histórias em versos, muitas vezes apenas oralmente, pois muitos nem se quer sabiam ler. Quando não oral era impresso em folhetos rústicos, produção típica do Nordeste.

Literatura de Cordel
Com textos poeticamente estruturados, tem a sextilha (conjunto de seis versos) como estrofe básica, mas há também as septilhas, oitavas e as décimas (respectivamente sete, oito e dez versos, este último também chamado “martelo”). A métrica tem versos de sete sílabas, rimas e vocabulário simples. Tem também, como característica a função de reportar, pois era nesse estilo de poesia que as notícias eram divulgadas nos lugares mais longínquos, especialmente, os acontecimentos históricos do Brasil.
O poeta paraibano Leandro Gomes de Barros é considerado o primeiro a imprimir e vender esses versos, por volta de 1890. Também João Martins de Athayde (1880-1959) está entre os principais autores do passado. Sem limites de temas, conta-se nesses versos a vivência popular, os feitos de cangaceiros, as espertezas de heróis como João Grilo e Pedro Malasartes ou uma história de amor, ainda acontecimentos importantes de interesse público, como o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954, ou mesmo temas sobrenaturais, como a chegada de Lampião no Inferno ou a realização de profecias de Antônio Conselheiro.
Em 1812 o Conde dos Arcos, inaugura o Teatro São João que depois passaria a ser o Xisto Bahia, lá Castro Alves inflamaria platéias com poemas líricos e abolicionistas. Nascido em 1847, Castro Alves tem a sua obra marcada pelo combate à escravidão, motivo pelo qual ficou conhecido como “Poeta dos Escravos”. A sua linguagem, repleta de figuras de estilo (metáforas, comparações, personificações, invocações, hipérboles, típicas do condoreirismo), se enquadrando na poesia romântica, a poesia de caráter lírico-amoroso, comum da época. Em homenagem ao poeta o dia 14 de Março, data do seu nascimento, é considerado o dia da poesia. Segundo Jorge Amado, dentre os muitos amores do poeta Castro Alves o maior deles era a liberdade.
Saiba mais sobre Gregório de Matos, assistindo o vídeo abaixo com uma breve biografia do Poeta:

















Sua pesquisa está ótima. Estou acompanhado e aproveitando este belíssimo trabalho. Parabens!